Pronome relativo: quando usar “que” ou “a que”?

Pronome relativo: quando usar “que” ou “a que”?

O pronome relativo aparece com frequência em provas porque reúne dois assuntos ao mesmo tempo: coesão textual e regência. Uma frase como “estes são os filmes que assisti” pode parecer natural, mas, quando o verbo assistir tem o sentido de ver ou presenciar, a norma-padrão exige a preposição a. Por isso, a construção recomendada é “estes são os filmes a que assisti”.

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No vídeo desta aula, o Professor Mazziotti explica que essa cobrança aparece em diversas bancas e também em concursos militares. O mecanismo é importante: quando o verbo ou o nome exige uma preposição e seu complemento é retomado por um pronome relativo, a preposição deve aparecer antes do relativo.

Por que “os filmes que assisti” pode estar errado?

O verbo assistir tem mais de uma regência, conforme o sentido. Quando significa ver, presenciar, a norma-padrão tradicional estabelece a construção assistir a alguma coisa.

Assim, dizemos:

  • Assisti ao filme.
  • Assisti à palestra.
  • Assisti aos jogos.

Se o termo que funciona como complemento for retomado pelo pronome relativo que, a preposição não desaparece. Ela se desloca para antes do pronome:

Estes são os filmes a que assisti.

A lógica é a mesma da frase simples. Se alguém assiste a algo, então esse a precisa continuar presente quando o complemento é representado por um relativo.

Como descobrir se o “que” precisa de preposição?

O melhor método é reconstruir a frase sem o pronome relativo. Observe:

Estes são os filmes a que assisti.

Separe as informações: Estes são os filmes. + Eu assisti aos filmes. Como o verbo exige a, a preposição aparece antes de que.

Esse procedimento evita decorar combinações isoladas. O candidato identifica a regência do verbo ou do nome e depois leva a preposição necessária para a posição anterior ao pronome relativo.

“Que”, “de que” ou “em que”?

Na aula, o Professor Mazziotti mostra que a escolha muda conforme a regência. Compare:

  • Gostar de: estes são os filmes de que gostei.
  • Confiar em: estes são os profissionais em que confio.
  • Assistir a: estes são os filmes a que assisti.

Portanto, não existe uma preposição “do pronome relativo”. A preposição vem do termo que rege o complemento. É o verbo gostar que pede de; confiar pede em; assistir, no sentido de ver, pede a.

E quando o verbo não exige preposição?

Se o verbo liga-se diretamente ao complemento, o pronome relativo pode aparecer sem preposição. Por exemplo:

Este é o livro que comprei.

Na oração simples, temos comprei o livro. O verbo comprar é transitivo direto nesse contexto; por isso, não há preposição a deslocar.

Essa comparação é útil porque mostra que a pergunta correta não é “devo colocar preposição antes de que?”, mas sim “o termo que vem depois do relativo exigiria qual preposição se a frase estivesse na ordem normal?”.

“A que” ou “ao qual”?

Em muitos casos, que pode ser substituído por o qual, a qual, os quais, as quais, mantendo a preposição exigida:

  • O filme a que assisti.
  • O filme ao qual assisti.
  • A palestra a que assisti.
  • A palestra à qual assisti.

Essa substituição pode inclusive ajudar na análise, porque a combinação entre preposição e artigo fica mais visível. Em questões de crase, o uso de à qual pode revelar que o verbo exige a e que o pronome relativo admite artigo feminino.

O que acontece com “cujo”?

O vídeo também chama atenção para o fato de que a regra não se limita ao pronome que. Ela pode aparecer com cujo e com o qual.

Considere a estrutura: Este é o autor de cuja obra gosto. O verbo gostar exige a preposição de: alguém gosta de uma obra. Como cuja obra estabelece uma relação de posse com autor, a preposição exigida por gostar aparece antes de cuja.

Além disso, cujo concorda com o termo possuído, não com o antecedente: autor cuja obra, autora cujos livros. E não se usa artigo depois de cujo: evita-se a construção “cuja a obra”.

Por que as bancas gostam tanto desse assunto?

Esse tipo de questão permite avaliar vários conteúdos em uma única frase: regência verbal, preposição, pronome relativo, coesão e crase. A banca pode retirar a preposição, trocar o relativo, propor uma reescrita ou perguntar se a correção gramatical foi mantida.

É comum o candidato reconhecer o antecedente do pronome, mas esquecer a regência do verbo que aparece depois. Por isso, vale sempre reconstruir a oração em ordem direta.

Um método rápido para resolver

  1. Identifique o antecedente do pronome relativo.
  2. Localize o verbo ou nome que rege o termo retomado.
  3. Reescreva mentalmente a oração sem o relativo.
  4. Descubra a preposição exigida.
  5. Coloque essa preposição antes do pronome relativo.

Exemplo: “A cidade ___ moro fica longe.” Reconstrua: moro na cidade. O verbo morar pede em. Portanto: “A cidade em que moro fica longe.”

Erros comuns em prova

  • retirar a preposição exigida: “o filme que assisti”;
  • usar uma preposição por hábito, sem verificar a regência;
  • confundir a que com crase automática;
  • usar artigo depois de cujo;
  • esquecer que a regência pode mudar quando o verbo muda de sentido.

O que estudar junto?

O assunto se conecta diretamente a preposições, regência verbal e crase e pronomes e referenciação. Estudar esses tópicos juntos ajuda a entender por que a preposição aparece e evita decorar frases isoladas.

Resumo

Use “a que”, “de que”, “em que” ou outra combinação quando o verbo ou nome da oração exigir aquela preposição. A regra central é: a preposição regida deve vir antes do pronome relativo. Assim, quem assiste a algo fala em “o filme a que assisti”; quem gosta de algo diz “o filme de que gostei”; quem confia em alguém pode dizer “a pessoa em que confio”.

Este artigo foi elaborado a partir da transcrição real do vídeo do Professor Mazziotti e ampliado com exemplos didáticos para concursos.

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