“Namorar com” está certo? 5 erros de regência verbal

“Namorar com” está certo? 5 erros de regência verbal

“Namorar com” está certo? A expressão é muito comum na fala cotidiana, mas pode causar erro em provas de concursos porque a norma-padrão tradicional trata o verbo namorar como transitivo direto quando significa manter relacionamento amoroso. No vídeo desta aula, o Professor Mazziotti parte dessa dúvida para revisar cinco construções frequentes de regência verbal: estar de greve, namorar com alguém, arrasar com, repetir de ano e apaixonar em alguém.

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A ideia central é simples: aquilo que se ouve com frequência nem sempre coincide com a construção exigida em contextos formais. Em concursos, isso aparece em questões de correção gramatical, reescrita, substituição de termos e julgamento de frases. Por isso, conhecer a regência do verbo ajuda não apenas a decorar uma preposição, mas a entender a estrutura inteira da oração.

O que é regência verbal?

Regência verbal é a relação estabelecida entre o verbo e os termos que completam ou acompanham seu sentido. Alguns verbos ligam-se diretamente ao complemento; outros exigem uma preposição determinada. Em vários casos, a regência muda conforme o sentido que o verbo assume.

O problema é que o uso cotidiano cria construções muito difundidas. Algumas tornam-se tão naturais na fala que deixam de parecer estranhas. Na prova, porém, a banca pode cobrar a forma prevista pela norma-padrão. É justamente esse contraste que aparece nos exemplos do vídeo.

“Estar de greve” ou “estar em greve”?

O primeiro exemplo apresentado é “estar de greve”. Na explicação da aula, a forma adequada à norma-padrão é “estar em greve”. A preposição esperada é em, do mesmo modo que se diz estar em férias ou estar em dispensa.

Em uma questão objetiva, a banca pode inserir a locução em uma frase maior e perguntar se a substituição de uma preposição preserva a correção. O candidato deve observar que a escolha da preposição não é meramente estilística: ela faz parte da construção consagrada pela norma.

“Namorar com alguém” ou “namorar alguém”?

Esse é o ponto principal do vídeo. No sentido de manter relacionamento amoroso, namorar é verbo transitivo direto. Portanto, na norma-padrão, a construção esperada é “namorar alguém”: Felipe namora Joana, por exemplo.

O Professor Mazziotti explica que a forma “namorar com alguém” pode ser entendida como resultado de uma espécie de contaminação sintática. Outras construções semelhantes utilizam a preposição com: quem se casa, casa-se com alguém; modernamente, quem fica, fica com alguém. Essa proximidade favorece a extensão da preposição para o verbo namorar, embora a norma-padrão mantenha a regência direta.

Essa explicação é especialmente útil para concursos porque mostra a origem do erro. Em vez de apenas memorizar “namorar sem com”, o candidato percebe como estruturas vizinhas podem influenciar a escolha da preposição.

Por que “arrasar com” pode ser problema?

Outro exemplo comentado é “arrasar com”. O Professor Mazziotti recupera o sentido original de arrasar: tornar raso, destruir, pôr abaixo. Assim, em uma frase como “o bombardeio arrasou a cidade”, o verbo liga-se diretamente ao objeto a cidade.

Essa análise ajuda a compreender a transitividade. Em vez de imaginar que todo uso moderno com valor intensificador aceita automaticamente a preposição com, a prova pode exigir a construção direta. É importante sempre conferir o sentido do verbo no contexto.

“Repetir de ano” ou “repetir o ano”?

Na sequência, o vídeo aborda a expressão “repetir de ano”. A forma recomendada pela norma-padrão apresentada na aula é “repetir o ano”. O verbo repetir recebe diretamente aquilo que é repetido.

A diferença parece pequena, mas é exatamente esse tipo de estrutura que bancas usam para medir atenção à regência. Em uma questão de reescrita, a frase pode ser apresentada com uma construção muito comum oralmente e o candidato precisa reconhecer a forma esperada na escrita formal.

“Apaixonar em alguém” ou “apaixonar-se por alguém”?

O último exemplo é uma construção que o Professor Mazziotti destaca como cada vez mais frequente na fala: “ela apaixonou nele” ou “apaixonou-se nele”. Na norma-padrão, a construção é “apaixonar-se por alguém”: ela se apaixonou por ele.

A preposição por faz parte da regência prevista para essa acepção pronominal do verbo. Assim, frases com em podem ser consideradas inadequadas quando a prova exige a variedade formal.

Como esse assunto costuma aparecer em concursos?

Regência verbal raramente aparece apenas como pergunta do tipo “qual preposição o verbo exige?”. É comum que o examinador apresente uma frase completa e peça para identificar a alternativa correta, avaliar uma reescrita ou julgar se a substituição mantém a norma-padrão.

Também há forte relação entre regência e outros conteúdos. A preposição exigida pelo verbo pode determinar o uso da crase, interferir no emprego de pronomes relativos e alterar a estrutura de complementos verbais. Por isso, vale revisar também o artigo sobre regência verbal e crase e o guia sobre preposições.

Resumo das cinco construções

  • estar de greve → preferir estar em greve;
  • namorar com alguém → na norma-padrão, namorar alguém;
  • arrasar com algo → em construção direta, arrasar algo;
  • repetir de ano → repetir o ano;
  • apaixonar-se em alguém → apaixonar-se por alguém.

Como estudar regência sem decorar listas intermináveis

Uma estratégia eficiente é registrar o verbo, o sentido usado e a construção completa. Em vez de anotar apenas “namorar — sem preposição”, escreva uma frase-modelo e compare-a com estruturas que provocam confusão. Faça o mesmo com verbos que mudam de regência conforme o significado.

Depois, resolva questões reais e transforme cada erro em um exemplo próprio. Esse procedimento ajuda a perceber padrões e reduz a dependência da memória mecânica. Para aprofundar, consulte também preposições e verbos em questões da Vunesp.

O vídeo integra a série de conteúdos de Português do Professor Mazziotti para concursos. A explicação deste artigo foi elaborada a partir do conteúdo efetivamente falado na aula e ampliada com exemplos didáticos para estudo.

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