Oração subordinada: como identificar e classificar

Oração subordinada: como identificar e classificar

Oração subordinada é aquela que exerce uma função sintática ou semântica em relação a outra oração. Em provas de Português, o candidato precisa primeiro identificar a relação entre as orações e só depois classificar a subordinada como substantiva, adjetiva ou adverbial.

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Decorar listas de conjunções ajuda pouco quando a análise sintática está errada. O método mais seguro é descobrir qual função a oração desempenha dentro do período.

O que é subordinação?

Há subordinação quando uma oração depende estruturalmente de outra e exerce nela determinada função. Essa relação pode ser semelhante à de um substantivo, adjetivo ou advérbio.

Compare: “Espero que você passe”. A oração destacada completa o sentido do verbo “espero” e funciona como objeto direto. Por isso, é uma oração subordinada substantiva objetiva direta.

Orações subordinadas substantivas

As subordinadas substantivas exercem funções típicas de substantivo: sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo ou aposto.

Uma técnica prática é substituir a oração por “isso”. Se a estrutura continuar sintaticamente coerente, há forte indicação de oração substantiva.

“Desejo que você seja aprovado” → “Desejo isso”. A oração funciona como objeto direto.

Subordinada substantiva subjetiva

Exerce função de sujeito da oração principal.

Exemplo: “É necessário que todos estudem.” A oração “que todos estudem” funciona como sujeito de “é necessário”.

Subordinada substantiva objetiva direta

Completa verbo transitivo direto.

Exemplo: “A banca informou que o resultado sairia hoje.” Quem informa, informa algo. A oração completa o verbo sem preposição.

Subordinada substantiva objetiva indireta

Completa verbo que exige preposição.

Exemplo: “Ele se lembrou de que precisava revisar.” O verbo “lembrar-se” exige a preposição “de”.

Subordinada substantiva completiva nominal

Completa o sentido de um nome, normalmente substantivo, adjetivo ou advérbio que exige complemento.

Exemplo: “Tenho certeza de que ele virá.” A oração completa o substantivo “certeza”.

Subordinada substantiva predicativa

Exerce função de predicativo do sujeito.

Exemplo: “Meu objetivo é que todos aprendam.” A oração caracteriza ou identifica “meu objetivo”.

Subordinada substantiva apositiva

Funciona como aposto, explicando ou especificando um termo anterior.

Exemplo: “Só desejo uma coisa: que você passe.” A oração explica “uma coisa”.

Orações subordinadas adjetivas

As subordinadas adjetivas caracterizam um substantivo ou pronome antecedente e normalmente são introduzidas por pronome relativo.

Em “os candidatos que estudaram avançaram”, a oração destacada caracteriza “candidatos”.

Adjetiva restritiva

Restringe o conjunto do antecedente. Em regra, não vem isolada por vírgulas.

“Os candidatos que estudaram avançaram.” A frase indica que apenas o grupo que estudou avançou.

Adjetiva explicativa

Acrescenta uma explicação sobre o antecedente e aparece isolada por vírgulas.

“Os candidatos, que estudaram, avançaram.” A construção sugere que todos os candidatos estudaram e acrescenta essa informação de maneira explicativa.

A diferença de pontuação muda o alcance do sentido.

Orações subordinadas adverbiais

As subordinadas adverbiais expressam circunstâncias como causa, consequência, condição, concessão, finalidade, tempo, comparação, conformidade e proporção.

Elas se relacionam à oração principal de forma semelhante a um advérbio.

Causal

Indica a causa do fato principal.

“Como estudou bastante, teve bom desempenho.” A oração inicial apresenta a causa.

Condicional

Apresenta condição.

“Se estudar com regularidade, terá mais segurança.” A aprovação ou o resultado depende de uma hipótese ou condição.

Concessiva

Apresenta uma ideia que poderia impedir o fato principal, mas não impede.

“Embora estivesse cansado, continuou estudando.” O cansaço cria uma expectativa contrária ao resultado.

Final

Indica finalidade.

“Revisou o conteúdo para que não esquecesse os pontos principais.” A segunda oração expressa objetivo.

Consecutiva

Apresenta consequência.

“Estudou tanto que terminou o material antes da prova.” A segunda oração expressa o resultado da intensidade indicada anteriormente.

Temporal

Indica circunstância de tempo.

“Quando terminou a prova, revisou as respostas.”

Como diferenciar substantiva, adjetiva e adverbial

Faça três perguntas:

  • a oração ocupa uma função típica de substantivo? → substantiva;
  • caracteriza um nome antecedente? → adjetiva;
  • expressa circunstância em relação à oração principal? → adverbial.

Esse procedimento é mais confiável do que tentar classificar apenas pelo conectivo.

Conjunção integrante e pronome relativo

O “que” pode funcionar como conjunção integrante ou pronome relativo. Se introduz uma oração substantiva e não retoma antecedente, tende a ser conjunção integrante. Se retoma um nome anterior e exerce função dentro da oração, é pronome relativo.

Para revisar referenciação, veja pronomes e referenciação.

Passo a passo para resolver

  1. Separe as orações. Localize os verbos.
  2. Identifique a oração principal.
  3. Pergunte qual função a subordinada exerce.
  4. Teste substituições. “Isso” ajuda nas substantivas.
  5. Procure antecedente. Se houver nome retomado, pode ser adjetiva.
  6. Analise a circunstância. Causa, condição, tempo, finalidade ou outra relação indicam adverbial.
  7. Use o conectivo como confirmação. Não como único critério.

Resumo

  • oração subordinada depende de outra oração;
  • substantivas exercem funções de substantivo;
  • adjetivas caracterizam um antecedente;
  • adverbiais expressam circunstâncias;
  • a função sintática deve ser identificada antes da classificação;
  • conectivos ajudam, mas não substituem a análise.

Em provas, classificar corretamente a oração fica muito mais simples quando você abandona a tentativa de decorar rótulos isolados e passa a identificar a função que cada trecho exerce no período.

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