Regência do verbo custar: “ele custará entender” está certo?

A regência do verbo custar costuma surpreender porque, na fala cotidiana, muitas pessoas usam construções como “eu custei a entender” ou “ele custará entender a proposta”. No vídeo abaixo, o Professor Mazziotti mostra por que esse uso não corresponde à construção recomendada pela norma-padrão quando custar significa ser difícil, trabalhoso ou custoso.
O ponto principal é identificar corretamente o sujeito da oração. Nesse sentido, o verbo custar não apresenta como sujeito a pessoa que sente dificuldade. O sujeito é justamente aquilo que é difícil de realizar. Essa mudança de perspectiva explica por que frases aparentemente naturais podem ser consideradas inadequadas em questões de concursos.
O que significa “custar” nesse caso?
Na aula, o Professor Mazziotti chama atenção para uma confusão comum: nesse uso, custar não significa demorar. O verbo tem sentido de ser difícil. A associação com demora aparece porque algo difícil geralmente exige mais tempo, mas semanticamente não são a mesma coisa.
Quando alguém diz que uma tarefa “custou”, a ideia é que ela exigiu esforço ou apresentou dificuldade. Por isso, é importante analisar a estrutura sintática a partir desse valor semântico.
Por que “ele custará entender a proposta” está inadequado?
Na frase “ele custará entender a proposta”, o pronome ele aparece como sujeito de custará. Segundo a regência apresentada na aula, essa construção não é a recomendada pela norma-padrão quando custar significa ser difícil.
O que é difícil, nesse caso, não é “ele”. O que é difícil é entender a proposta. Portanto, a oração reduzida de infinitivo entender a proposta funciona como sujeito oracional do verbo custar.
Esse é o ponto que normalmente decide a questão em prova. O candidato precisa resistir à tendência de transformar a pessoa que enfrenta a dificuldade em sujeito do verbo.
Qual é a construção recomendada?
O Professor Mazziotti apresenta a estrutura “custará a ele entender a proposta” para mostrar a organização sintática: a dificuldade recai sobre a ação de entender, enquanto a ele indica a pessoa para quem aquilo é difícil.
Na sequência, a aula reforça que a construção considerada mais ajustada à norma-padrão é com pronome oblíquo átono: “custar-lhe-á entender a proposta”. Em uma ordem mais comum hoje, também se encontra “custará a ele entender a proposta”, mas, em questões muito normativas, é importante conhecer a preferência da gramática tradicional.
“Eu custei a aceitar o contrato” está certo?
Esse é outro exemplo útil para fixar a regra. Em “eu custei a aceitar o contrato”, o pronome eu foi colocado como sujeito de custei. No padrão formal cobrado pela aula, a construção deve ser reorganizada para que aceitar o contrato seja o sujeito.
A ideia pode ser expressa como “custou-me aceitar o contrato”. O que custou, isto é, o que foi difícil, foi a ação de aceitar o contrato; o pronome me indica para quem essa ação foi difícil.
Por que esse assunto é importante para concursos?
A regência de custar é um ótimo exemplo de questão em que o candidato precisa dominar simultaneamente semântica, sintaxe e colocação pronominal. A banca pode apresentar uma frase aparentemente natural e pedir a alternativa correta, uma reescrita equivalente ou a identificação do sujeito.
Também é possível que a questão misture o verbo custar a outros tópicos, como oração subordinada substantiva subjetiva, pronomes oblíquos ou concordância. Por isso, estudar apenas a preposição não é suficiente.
Como identificar o sujeito oracional?
Uma boa estratégia é perguntar: o que é difícil? Na frase “custou-me compreender a regra”, o que foi difícil foi compreender a regra. Essa oração inteira exerce a função de sujeito.
O mesmo raciocínio pode ser aplicado a estruturas com outros verbos e expressões impessoais. Identificar o núcleo semântico da frase ajuda a evitar erros de análise sintática.
Compare as construções
- Uso inadequado em padrão formal: Eu custei a compreender o problema.
- Construção recomendada: Custou-me compreender o problema.
- Uso inadequado: Ele custará entender a proposta.
- Construção ajustada: Custará a ele entender a proposta.
- Forma tradicional mais formal: Custar-lhe-á entender a proposta.
Como estudar regência verbal com mais segurança
Em vez de decorar listas isoladas, associe sempre três elementos: sentido do verbo, estrutura sintática e complemento. O verbo custar mostra bem por que o significado interfere na construção.
Para ampliar a revisão, consulte também o material do News sobre regência verbal e crase e o guia sobre preposições.
Resumo
Quando custar significa ser difícil, a pessoa que sente a dificuldade não deve ser tratada como sujeito do verbo na construção tradicional. O sujeito é aquilo que custa, frequentemente uma oração reduzida de infinitivo. Assim, em vez de “eu custei a entender”, prefira “custou-me entender”; em vez de “ele custará entender”, organize a frase de modo que entender seja o sujeito.
Este artigo foi elaborado a partir da transcrição efetiva do vídeo do Professor Mazziotti e ampliado com explicações didáticas para estudo e revisão de concursos.










