Entenda por que a cura do Alzheimer pode estar próxima

A doença de Alzheimer é uma condição neurodegenerativa, comumente descrita como fatal. As pessoas começam a se esquecer das coisas, sua capacidade de raciocínio começa a ficar comprometida até que, nos estágios mais avançados da doença, é difícil até sair da cama e as pessoas perdem suas vidas para o Alzheimer.

Esse é um processo que demora anos para acontecer e, até então, é uma doença considerada sem solução. Porém, novas descobertas científicas sobre o Alzheimer estão mudando esse cenário. A cura para a doença pode ser desenvolvida nos próximos 10 ou 15 anos.

O Alzheimer é considerado irreversível — mas esse cenário pode mudar, nos próximos anos (Fonte: GettyImages)

As primeiras hipóteses para a cura do Alzheimer

Os primeiros grandes avanços no tratamento do Alzheimer saíram da University College de Londres com as pesquisas do professor John Hardy.

Observando os cérebros de pessoas com Alzheimer, ele identificou as chamadas placas beta-amiloides. São estruturas de proteínas que envolvem o órgão, atrapalhando a transmissão dos impulsos nervosos. É como se os neurônios da pessoa com Alzheimer entrassem num curto-circuito. Essas placas, portanto, foram o alvo dos primeiros medicamentos contra a doença — e os cientistas acreditavam ter descoberto a solução definitiva para o problema.

Contudo, em anos posteriores, descobriu-se que essas placas beta-amiloides não são a única causa dos sintomas. Até porque elas foram encontradas nas autópsias de pessoas que nunca desenvolveram Alzheimer.

Além disso, os primeiros medicamentos focados em atacar essas placas não surtiram o efeito esperado. Era possível aliviar os sintomas e retardar o avanço da doença, se muito — mas sua cura continuava longe. Então, os cientistas começaram a trabalhar em outras hipóteses.

Os novos avanços na pesquisa do Alzheimer

Os cientistas perceberam que o cérebro das pessoas com Alzheimer, ao ser “atacado” pelas placas beta-amiloides, começa a inflamar para se defender. Com isso, ele desenvolve células chamadas de micróglias — células de defesa, com a função de “limpar” o cérebro.

Porém, com o avanço da doença, as micróglias deixam de ser uma solução e se tornam uma parte do problema. Elas acabam matando mais neurônios e contribuindo para a demência. Há pesquisas promissoras sobre a cura do Alzheimer a partir dessa descoberta.

Além disso, os cientistas trabalham numa terceira hipótese: a proteína Tau. Emaranhados dessa proteína são encontrados nos cérebros das pessoas com Alzheimer. E a quantidade deles está relacionada à gravidade da doença.

Considerando que o Alzheimer é uma doença bastante complexa, é possível que a cura esteja em uma dessas hipóteses — ou na união de todas elas. Os cientistas ouvidos em reportagem recente do Fantástico, da TV Globo, estão confiantes. “As descobertas de hoje são os medicamentos de amanhã”, afirmou a cientista Malú Tansey.

Acredita-se que será possível tratar o Alzheimer nos estágios mais iniciais, antes mesmo dos sintomas começarem. Inclusive porque já existem exames modernos que detectam a doença nesse momento.