Demanda por alimentos deve crescer em maior ritmo que oferta na próxima década, segundo OCDE

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgou um relatório, em parceria com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que projeta um cenário preocupante para a segurança alimentar global nos próximos dez anos.

Segundo o documento, a produção mundial de alimentos crescerá apenas 1,1% ao ano entre 2023 e 2032, enquanto a demanda por alimentos aumentará 1,3% ao ano no mesmo período. Isso significa que haverá um descompasso entre a oferta e o consumo de alimentos, podendo gerar escassez, fome e aumento dos preços.

Os desafios da produção agropecuária no século XXI

O relatório da OCDE aponta que a produção de vegetais e produtos de origem animal enfrenta diversos obstáculos para se expandir e atender às necessidades da população mundial, que deve chegar a 8,5 bilhões de pessoas em 2030.

Entre os fatores que limitam o crescimento da produção agropecuária estão as tensões geopolíticas, as mudanças climáticas, as doenças em animais e plantas e a volatilidade dos preços de insumos essenciais para a agricultura.

A visão neomalthusiana sobre o problema alimentar

Para os adeptos da Teoria Neomalthusiana, uma teoria demográfica que defende que o crescimento populacional resulta em pobreza1, o problema alimentar é uma consequência direta da explosão demográfica ocorrida no século XX.

Segundo essa teoria, inspirada nas ideias do economista inglês Thomas Malthus (1736-1834), a produção de alimentos não consegue acompanhar o ritmo acelerado do aumento da população, gerando um desequilíbrio entre a oferta e a demanda de recursos.

Assim, os neomalthusianos defendem o controle populacional como uma medida necessária para evitar a miséria e a degradação ambiental. Eles propõem que os governos incentivem o planejamento familiar, a educação sexual e o uso de métodos contraceptivos, especialmente nos países mais pobres e com altas taxas de natalidade.

A crítica reformista à teoria neomalthusiana

A Teoria Neomalthusiana é considerada uma teoria alarmista e pessimista por muitos estudiosos, que apresentam uma visão diferente sobre a relação entre população e desenvolvimento.

Esses estudiosos, chamados de reformistas, argumentam que a pobreza é a principal causa do crescimento populacional exacerbado, e não o contrário. Eles afirmam que as desigualdades sociais e econômicas são fruto da exploração dos países mais ricos sobre os mais pobres, e não da falta de recursos naturais.

Para os reformistas, o problema alimentar não se deve à escassez de alimentos, mas à má distribuição de renda e à falta de acesso aos meios de produção. Eles defendem que é possível garantir a segurança alimentar de toda a população por meio de políticas públicas que promovam a justiça social, a reforma agrária e o desenvolvimento sustentável.

1: Teoria Neomalthusiana: o que é, características – Mundo Educação. Disponível em: https://mundoeducacao.uol.com.br/geografia/teoria-neomalthusiana.htm. Acesso em: 09 jul. 2023.