Após 104 anos de atividade, grande rede de livrarias demite todos os funcionários e fecha as portas

A icônica Livraria Saraiva, que já ocupou o posto de maior rede de livrarias do Brasil, com cerca de 100 unidades, encerrou as atividades de suas últimas cinco lojas físicas no último dia 20/9.

A empresa, que já enfrentava dificuldades financeiras e estava em processo de recuperação judicial, planeja se concentrar exclusivamente em suas operações on-line, o que ocorre desde segunda-feira, dia 25/9.

Fim de uma trajetória histórica

Até a semana passada, a Saraiva mantinha quatro lojas em São Paulo, incluindo a histórica unidade na Praça da Sé, inaugurada nos anos 1970, além de lojas em Shopping Aricanduva, Jundiaí e Novo Shopping, incluindo uma unidade em Campo Grande (MS).

O declínio da Saraiva começou a se intensificar em 2018, quando a empresa fechou algumas de suas lojas, reduzindo seu número total para 84 unidades. Pouco tempo depois, a empresa entrou com um pedido de recuperação judicial, com uma dívida declarada de R$ 674 milhões.

Imagem: Arquivos Iguatemi/Reprodução

Nos anos subsequentes, a empresa continuou reduzindo suas operações físicas e direcionando seus esforços cada vez mais para o comércio eletrônico, em uma tentativa de se reerguer em um mercado editorial desafiador.

Além do fechamento das lojas físicas, a Saraiva enfrenta desafios internos. A empresa comunicou a renúncia do Sr. Marcos Guedes Pereira, membro do Conselho de Administração da empresa, por razões pessoais.

A Saraiva, que está em recuperação judicial, enfrenta um cenário econômico desafiador no varejo brasileiro. Seu quadro de atividades diminuiu significativamente, e a empresa reconheceu atrasos em alguns pagamentos, incluindo os de Conselheiros, o que pode levar a mais renúncias no futuro, de acordo com declarações da empresa.

Em termos financeiros, no segundo trimestre de 2023, a Saraiva reportou um prejuízo líquido ajustado de R$ 16,2 milhões, uma melhora de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior (segundo trimestre de 2022).

A receita líquida, no entanto, sofreu uma queda acentuada de 60,8%, atingindo R$ 7,3 milhões, devido ao fechamento de lojas, que reduziu o número de unidades de 31 para 6.

As vendas nas lojas físicas registraram uma queda de 60,2%, totalizando R$ 7,2 milhões. As vendas das mesmas lojas, quando comparados o segundo trimestre deste ano e o segundo trimestre do ano passado, diminuíram 43%.