Afinal, quem foi o primeiro cientista da história?

Se perguntarem a várias pessoas quem foi o primeiro cientista da história, ainda que apenas aqueles que possuem uma noção mínima respondam, provavelmente teríamos muitos nomes diferentes de diferentes eras.

Claro, para chegar a uma conclusão comum, é necessário definir alguns critérios para isso. Se considerarmos a Grécia Antiga, por exemplo, Pitágoras, apesar do famoso teorema que leva seu nome ter sido encontrado em uma antiga tábua babilônica, seria o escolhido? Mas e se a designação de cientista for mais abrangente?

Em busca do que é um cientista

Essas perguntas possivelmente surgiram quando esse debate ocorria, antes que o termo “cientista” fosse empregado da forma como conhecemos hoje, o que significa dizer que ele passou a ser utilizado recentemente.

Ou melhor, foi apenas depois da Segunda Guerra Mundial que a designação foi aceita para se referir ao profissional que se dedica à pesquisa científica, remetendo à famosa imagem do estudioso que fornece explicações com base em experimentos.

Quem cunhou o termo foi o britânico William Whewell, em 1833. A partir disso, ele também se tornou um candidato a ser lembrado como um cientista. Mas, definitivamente, ele não é o primeiro da história, por mais que eventualmente atenda aos critérios da denominação.

Tales de Mileto, o primeiro cientista

(Fonte: Wikimedia Commons)
(Fonte: Wikimedia Commons)

Se considerarmos um nome da Grécia Antiga, Tales de Mileto é o que possui maior destaque nesse sentido. Grego, ele viveu entre 624 e 546 a.C. Mais do que famoso por ser o primeiro matemático, Tales também era filósofo, sendo fundador da Escola Jônica, e também se dedicava ao estudo de ciências.

Graças a Heródoto, ele ganhou fama por prever a ocorrência de um eclipse solar no ano de 585 a.C. (mas há quem acredite se tratar de uma lenda). Naturalmente, apesar dele reunir tanto conhecimento, não se pode dizer que Tales dominava todos os assuntos. Como exemplo disso, temos o fato dele ter apontado que toda matéria se originava da água.

Além disso, Tales, assim como seus conterrâneos, acreditava que a Terra era plana — e isso não é algo que pode diminuí-lo de alguma forma, considerando as informações disponíveis no período. Mas, esse antigo estudioso, ao se debruçar na resolução de problemas práticos e aliar conhecimentos de diferentes campos do saber, acabou sendo associado como o primeiro cientista da história.

Contribuições científicas que dialogam

(Fonte: Getty Images)
(Fonte: Getty Images)

Vale dizer ainda que Aristóteles (384 – 322 a.C.), por ter avançado no estudo dos fenômenos naturais, também é considerado por muitos como o primeiro cientista. Roger Bacon (1220 – 1292), mais adiante, ao valorizar o empirismo, também é lembrado da mesma forma. Galileu Galilei (1564 – 1642) ainda é tido como o primeiro desde da era moderna. E em meio a essa busca, há outro nome do mundo árabe que eventualmente é citado.

Trata-se de Ibn al-Haytham (Alhazém, na forma latinizada), que viveu entre 965 e 1040. Nascido no Iraque, ao se aprofundar no estudo da luz, ele buscou entender como se dá a refração, e qual trajetória que a luz percorre ao atravessar o olho humano. E ainda que não tenha fornecido todas as respostas, ofereceu um caminho até elas.

(Fonte: Getty Images)
(Fonte: Getty Images)

O trabalho de Ibn al-Haytham influenciou outros grandes nomes, como Johannes Kepler (1571 – 1630). Inclusive, o método adotado pelo árabe remete àquilo que conhecemos hoje como o método científico moderno.

No final das contas, ainda que Tales de Mileto detenha o reconhecimento como o primeiro cientista, todos esses nomes abriram portas. Isso permitiu que aqueles que exploravam assuntos relacionados do seu campo de estudo pudessem avançar rumo às próprias descobertas. Dessa forma, com contribuições que dialogam entre si e estão presentes em muitas invenções do mundo contemporâneo, esses cientistas permanecem lembrados por seus esforços.